quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

:: Um Álbum às Quintas


:: Ok, é mentira. Este não é um Um Álbum às Quintas. Está mais para Um Monte de Músicas de Diversos Álbuns às Quintas.

Explico.

Era uma vez uma banda de NY que se chamava "Are You My Mother?" criada por dois amigos chamados Adam Schlesinger and Chris Collingwood. Depois de algum tempo trocando para nomes cada vez mais ridículos, um sucesso escrito por Schlesinger toma conta das rádios dentro e fora do EUA e ainda recebe uma indicação ao Oscar por ser a trilha sonora do homônimo filme "That Thing You Do", com Tom Hanks. Nessa época, os integrantes chegam ao derradeiro nome e identidade musical - Fountains Of Wayne.


O grupinho de Power Pop Rock lança a partir daí alguns álbuns de relativo ou grande sucesso com uma penca de músicas bacanas que, de tão espalhadas pela obra, não deixam que eu escolha apenas um álbum. Eu sei que vocês conhecem "Stacy's Mom", "Hey Julie" ou a favorita da séries enlatadas, "All Kinds of Time" mas confie em mim - da próxima vez que você quiser um rockinho desses mais pra The Magic Numbers do que pra Greenday (numa escala pretensiosidade), aponte para seu programa favorito de download de mp3s, digamos que seja o iTunes (aham...), e crie uma hitlist (não necessariamente) nessa ordem:

- Maureen
- The Girl I Can't Forget
- I Know You Well
- Bright Future On Sales
- All Kinds Of Time
- Hey, Julie
- It Must Be Summer
- Hackensack
- You Curse At Girls
- Too Cool For School
- Halley's Waitress



sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Government Change. The Lies Stays The Same


:: Ok, Hosni Mubarak é feio, chato e bobo. Neste ponto todos concordamos. Vemos as revoltas populares pela TV, as reportagens dramáticas, os políticos preocupados e os EUA - sempre eles - tentando mediar uma transição pacífica de 30 anos de ditadura para... para o que, mesmo?

No Xadrez às vezes temos que ceder nossa peça mais preciosa quando queremos ganhar o jogo. Uma lição que um mestre enxadrista tentou me ensinar mas falhou miseravelmente. Talvez por isso, nunca consegu vencê-lo. Com a experiência, você percebe que Política e Espionagem nada mais são do que partidas de Xadrez on crack.

A CIA diz que não tem nada a ver com isso, inclusive afirma que já havia cantado essa pedra há muito tempo e que Obama foi que engoliu barriga. Então, porque seus agentes secretos estão conversando com líderes do quebra-quebra desde o final de 2008, segundo o Wikileaks?

Uma revista brasileira, e quando digo "revista brasileira" quero dizer a VEJA, reporta que os confrontos foram arquitetados por Radicais Islâmicos. Se formos analisar pela reação do líder religioso Aiatolá Khamenei do Irã, que andou dizendo venenosamente que "Mubarak traiu seu próprio povo" ela poderia estar perto da verdade. Como alguns sabem, Israel e Egito não são exatamente amigos e já se estranharam no passado várias vezes e com uma vitória esculachante de Israel praticamente por WO. Mubarak, segundo detratores, estaria traindo o movimento e se aproximando um pouco demais dos judeus.


O que realmente se sabe é que as relações entre os serviços secretos americanos e governantes do Egito sempre foram de uma canalhice engraçada, uma coisa muito parecida com a proverbial mulher de malandro. Pela frente a CIA diz que protege e por trás... bom, só com KY pra aguentar todas as vezes que Abdel Nasser, Anwar Al-Sadat e Mubarak tomaram em seus respectivos traseiros. Mas sempre com amor, claro. Tough love, como dizem.

Então, se Mubarak cair, que governará o Egito? Se depender do lobby americano, a sucessão caberá a Omar Suleiman, o Vice-Presidente. Até aí, nenhum grande problema. Se Suleiman não fosse ex-chefe do EGID, onde ficou 8 ANOS na função, se tornando o mais poderoso Espião-Chefe do mundo, superando até os chefes do Mossad de Israel no Oriente-Médio. E, claro, está na folha de pagamento da CIA desde seu os sequestros de suspeitos de terrorismo para serem torturados no Egito sob sua batuta.

Mas, ops, esquecemos.
A CIA já jurou que não tem nada a ver com isso.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

:: Neste Reino Quem Manda é o Príncipe.


:: Mesmo distante, é muito fácil saber quem os EUA consideram inimigos de ocasião apenas ligando a TV a Cabo. Eles estão lá na HBO, no Telecine, na FOX ou na Warner. A indústria cinematográfica usa seu lobby e poder de broadcast para dizer ao público - "esses são nossos problemas". Se nos anos 80 os adversários eram sempre terroristas líbios, nos anos 90 eram traficantes de drogas e na década passada a bola da vez foram os árabes e os persas, uma ameaça à paz no mundo vem sendo tratada de modo especialmente venenoso mas, curiosamente, com muito pouco impacto na cultura popular - Exércitos de Aluguel. Comece a prestar atenção em filmes/séries como "State of Play", "A-Team" ou "24", "The Unit" e "Jericho".



E, pelo menos dessa vez, há um bom motivo para isso - assim como contratos de espionagem privada já representam dois terços do orçamento de inteligência americana, no âmbito militar negócios milionários e poder sem igual vem sendo dado a corporações paramilitares que, sendo empresas, seu único objetivo é o lucro e não necessariamente o fim de um conflito. O exemplo mais famoso é a BlackWater Worldwide.



Fundada por Erik Prince, de família rica mas treinado como Navy SEAL, a Blackwater faz parte da força de manutenção de guerra em praticamente qualquer conflito em que os EUA estejam metidos arrecadando desde 2001 600 milhões de dólares em contratos com a CIA, 488 milhões em contratos com Departamento de Estado e estavam na força-tarefa do furacão Katrina custando em torno de 240.000 dólares por dia aos cofres públicos. Por seu maquinário e poder de fogo a Blackwater é considerada a empresa de mercenários mais poderosa do mundo.

Até aí, nada de mais. Não fosse o fato da Blackwater (como todas as outras) ter a mentalidade das empresas automobilísticas da década de 80 - muito trabalho e pouco investimento na qualidade. Em outras palavras - seu exército é formado pelo refugo do refugo militar americano. Tudo aquilo que a Marinha cuspiu de suas fileiras ou que serviu o exército apenas para conseguir dar baixa e entrar numa dessas firmas. O resultado não poderia ser diferente - assassinato, massacres, ações ilegais sem direito a perseguição legal dos envolvidos e o ódio anti-americano gerado pelas incursões no Iraque, Afeganistão, Paquistão e - agora - na Somália. Em alguns países em conflito a Blackwater já foi proibida de botar os pés pelo caráter duvidoso de toda a corporação.



A empresa virou um embaraço pro governo estaduniense que apesar de levá-la ao Congresso várias vezes para se explicar, muito pouco pôde fazer e até mesmo Barack Obama, que não tinha nada a ver com o assunto, está pagando o pato e a língua pois acaba de deixar a CIA assinar mais de 100 milhões de dólares em novos acordos com a empresa, que mudou seu nome para Xe Services. É como diria Prince, aquele outro, you don't have to be cool to rule my world.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

:: Se os EUA Querem Ser o Wikileaks, Podem.



:: Você ainda não sabe quem é Valerie Plame Wilson. Mas nos EUA, qualquer cidadão um pouco mais interessado em relações internacionais já a conhece desde 2003. Valerie é conhecida por ser uma esposa dedicada, uma mãe amorosa e - agora - sua antiga vida profissional é de conhecimento público. Valerie Plame costumava ser uma espiã da CIA até ser traída pelo próprio governo.

Valerie era uma NOC (Non-Official Cover), o verdadeiro tipo de espião que age infiltrado para sempre e sem apoio que, caso seja capturado, os EUA não tem nenhuma obrigação de reclamar como seu agente e pode deixá-lo para apodrecer na cadeia ou ser executado sem ressentimentos de ambas as partes. Mas trairagem não fazia parte do contrato.

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Tudo porque Valerie cometeu um pequeno engano - se apaixonou e casou com um ex-diplomata e político honesto, Joseph Wilson. Um cara qu teve a pachorra de escrever um op-ed para o The New York Times alegando que segundo suas investigações o Iraque não tinha a capacidade de longe de fabricar ou comprar armas de destruição em massa - argumento que levou à Guerra do Iraque. Segundo Wilson, o governo estava manipulando e exagerano as informações para forçar a invasão.

Desnecessário dizer que os Republicanos se enfureceram com Joseph Wilson e tentaram derrubá-lo de qualquer jeito. Não achando um bom caminho, foram atrás da mulher dele vazando para jornalistas sua verdadeira identidade, seus contatos, suas missões e pondo em risco toda a rede de espionagem que dependia dela. De repente, Valerie Plame era a espiã mais famosa dos EUA sendo que nem mesmo sua família desconfiava. Mesmo protegida pelo Intelligence Identities Protection Act, a CIA queimou sua operativa e quase destruiu sua família sem pensar duas vezes. A ordem, claro, veio de cima, de Dick Cheney ('memba him? Ex-vice-presidente, acusado de suborno na Nigéria?).

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Óbvio, sem emprego, sem carreira e sem contatos na comunidade de inteligência, Valerie fez a única coisa que podia para garantir seu futuro - vendeu a história para Hollywood. O filme de sua vida, estrelado por Naomi Watts e Sean Pean (que faz Joseph) deve estreiar no Brasil em breve. Se me perguntar, é o que Julian Assange do Wikileaks deveria estar fazendo NESTE momento.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

:: WikiLeaks Won't Go Anywhere, Folks!



:: Este ano na política internacional pertenceu a Julian Assange.
Ativista digital, hacker, terror dos países e corporações com segredos a proteger. Completamente Louco, se me perguntar.

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Depois do vídeo Collateral Murder, que mostra o massacre de inocentes por um helicóptero Apache americano, da liberação de arquivos secretos sobre a Guerra do Afeganistão, depois o despejo de todas as atividades americanas na Guerra do Iraque, o seu site WikiLeaks desferiu semana passada mais um golpe contra os EUA, com o mais do que comentado CableGate - os milhares de telegramas trocados entre as embaixadas dos EUA revelando que alguns diplomatas não deveriam se envolver em espionagem e não passam de velhotas fofoqueiras. Deixem isso para os profissionais.

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Até o momento, todas as vezes que os países envolvidos e instituições vazadas (até mesmo cultos religiosos como a Cientologia, etc) tentaram bater em Assange, ele revidou mais forte. A questão é até quando ele poderá aguentar nesse ritmo sem ser assassinado ou ter sua vida destruída. E quem acompanha a trajetória do seu site com atenção há muito tempo se pergunta o que ele vai fazer a seguir.

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E se você acha que já ouviu coisas demais sobre o CableGate e não entende porque a pressão internacional para derrubar o site mesmo que várias cópias dos teçegramas já tenham sido feitas, a novela ainda está longe de acabar. Dos 250 mil documentos liberados até agora somente 600 vieram a público.
 
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